Nacionais Conferência Nacional: um marco histórico de escuta e valorização dos aposentadas e aposentados do ramo financeiro Redação Redação | Fonte: João Henrique Vieira (SEEBF/PI) com informações Contraf-CUT 9 de jul de 2025 às 19:07 | Atualizado: 26 de out de 2026 às 09:36 A+ A- A Contraste Fonte Facebook WhatsApp Copiar Link Atuação, protagonismo e direitos após aposentadoria foi o foco da 1ª Conferência Nacional de Aposentadas e Aposentados do Ramo Financeiro A sede da Contraf-CUT, realizada em São Paulo, entre os dias 02 e 03 de julho. O evento foi um marco histórico e consolidou um novo momento de valorização, escuta ativa e organização de quem ajudou a construir o movimento sindical bancário brasileiro. A diretora de Aposentados e Aposentadas do Sindicato dos Bancários do Piauí, Hortência Oliveira, esteve presente e ressaltou que a Conferência reuniu bancárias e bancários aposentados, dirigentes sindicais, especialistas e representantes de entidades parceiras debatendo temas urgentes como saúde, previdência, bem-estar, políticas públicas, inclusão sindical e combate ao preconceito etário. “Foi um evento histórico por colocar o debate sobre o idoso e a idosa em destaque, abordando diversos temas, mostrando as necessidades e a importância de valorização do idoso, do aposentado ativo que ainda faz e quer fazer a luta, que ainda são necessários para os dias atuais. Tivemos análise de conjuntura, os desafios, pois estamos sempre atrás de algo novo e não podemos nos acomodar. Discutimos temas como políticas públicas, fortalecimento de políticas de proteção à vida, saúde, enfretamento à violência, abandono, participação social e fortalecimento dos conselhos da pessoa idosa, o papel e a participação dos aposentados no movimento sindical, entre outros assuntos. Foi muito enriquecedor”, afirmou Hortência Oliveira. Resgate histórico e valorização de quem construiu o presente O segundo dia do evento começou com uma palestra de Roberto von der Osten (Betão), ex-presidente da Contraf-CUT, que fez um importante resgate histórico da luta dos aposentados no ramo financeiro, destacando a formação da Comissão Nacional das Aposentadas e Aposentados da entidade, batizada por ele de "Compromisso com quem construiu o presente". Ele lembrou que a população com mais de 60 anos já soma 32,1 milhões de bra sileiros (15,8%), número que segue em crescimento, enquanto as políticas públicas e a estrutura do movimento sindical ainda não acompanham essa realidade. "Estamos caminhando para ter mais aposentados do que ativos nas bases dos sindicatos", alertou. Betão também destacou a urgência de combater o preconceito contra idosos, de discutir os planos de saúde dos aposentados e de repensar o papel das entidades sindicais. “Nós estamos enfrentando o preconceito etário, o desmonte da seguridade social e a invisibilidade política. Queremos presença nos espaços do sindicalismo e da política, queremos romper o isolamento para continuar as nossas lutas e queremos manter vivo o nosso pertencimento à classe trabalhadora. A luta não se aposenta. Valorizar quem construiu a luta e conquistou direitos!”, afirmou. Um processo de construção coletiva iniciado em 2022 A conferência é fruto de um processo iniciado no 6º Congresso da Contraf-CUT, em abril de 2022, quando surgiu a proposta de envolver mais diretamente os aposentados nas lutas do ramo. Desde então, encontros virtuais e articulações deram origem à Comissão Nacional de Aposentadas e Aposentados da Contraf-CUT, nascida dos Comitês Populares de Luta formados ainda durante a campanha eleitoral de 2022. Nos encontros seguintes — especialmente em dezembro de 2022 e novembro de 2023 — foram estabelecidas prioridades como: Estimular a criação de coletivos de aposentados nas bases sindicais; Mapear temas de interesse e atuação; Lutar por políticas públicas, saúde e previdência complementar; Criar uma comunicação específica para o segmento; Estruturar estratégias de representação política e institucional. Saúde, pertencimento e envelhecimento ativo em pauta A conferência também trouxe temas essenciais para a qualidade de vida na aposentadoria. A assistente social Fé Juncal, diretora da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Jundiaí/SP e da Federação dos Aposentados do Estado de São Paulo, abordou questões como solidão, depressão, luto, sentido de pertencimento pós-carreira, engajamento social e políticas públicas para o envelhecimento saudável. “A discussão tem que ser permanente, a fiscalização tem que ser permanente, o debate tem que ser permanente, pois são essas políticas públicas que vão nos dar qualidade de vida daqui para frente”, defendeu Fé, ao destacar a importância da convivência, do voluntariado e da militância para manter-se ativo após os 60 anos. Caroline Heidner, empregada da Caixa Econômica Federal e diretora de Saúde Suplementar da ANAPAR, abordou os desafios enfrentados por aposentadas e aposentados no acesso à saúde, especialmente em relação à sustentabilidade dos planos de autogestão, aos direitos garantidos no SUS e na rede privada, e às dificuldades para manter um plano de saúde diante da queda na renda após a aposentadoria. Ela ressaltou a atuação da ANAPAR pela ampliação da representatividade dos beneficiários na gestão desses planos, com a defesa de mandatos eletivos paritários, sem voto de minerva, estruturados com condições adequadas — físicas, financeiras e políticas — semelhantes às garantias dos mandatos sindicais, incluindo liberação e estabilidade no emprego. Caroline chamou atenção ainda para a fragilidade regulatória das autogestões por Recursos Humanos, que, segundo ela, “vivem um vazio normativo” ao estarem isentas, pela RN 137/2006, de oferecer qualquer espaço de representação aos beneficiários. Defendeu também a proposta da ANAPAR de ampliar a elegibilidade aos planos para terceirizados e outros grupos, desde que acompanhada da garantia de participação efetiva desses novos beneficiários nas instâncias de governança. Por fim, alertou para questões estruturantes que impactam o futuro das autogestões, como os altos provisionamentos que aumentam os custos dos planos, pressionando especialmente os aposentados, e criticou o projeto de lei 7419/2006, que prevê a aplicação do Código de Defesa do Consumidor a essas modalidades, o que, segundo ela, seria prejudicial aos participantes. "Acolhimento, mobilização e início de um novo ciclo" O coordenador do Coletivo Nacional de Aposentadas e Aposentados da Contraf-CUT, Elias Jordão, celebrou o sucesso do evento. “A primeira conferência nacional de bancários e bancárias aposentadas, além de ser um marco histórico para a Contraf e para nosso ramo, superou positivamente todas as expectativas. O sentimento é de acolhimento para aqueles que são nossa história e, apesar de fora da ativa, com muita contribuição ainda por dar, normalmente estão na invisibilidade. É o início de uma longa caminhada, e vamos buscar parcerias com todas as categorias, entidades e associações que fazem este debate para ampliarmos e aprofundarmos as discussões de interesse deste segmento.” Resoluções e próximos passos Ao final do encontro, foram aprovadas resoluções importantes, entre elas: Orientar entidades filiadas a organizarem coletivos de aposentadas e aposentados nas federações e sindicatos; Estimular a participação ativa dos aposentados nesses coletivos; Incluir o segmento nas conferências regionais e na Conferência Nacional dos Bancários. “Com ampla participação, acolhimento e propostas concretas, a 1ª Conferência Nacional de Aposentadas e Aposentados da Contraf-CUT foi o ponto de partida para reconectar o movimento sindical com aqueles que ajudaram a construí-lo — e que seguem prontos para lutar”, finalizou Elias Jordão. 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